Cansada (Publicado com o Instagram)

Cansada (Publicado com o Instagram)

Love and others drugs, 2010

Não gosto de filmes com soluções fáceis e esse é decepcionante justamente por isso. Tudo é muito fácil, muito rápido, muito “mágico. Sem falar que é a maior defesa da indústria farmacêutica revestida de crítica que eu tive o desprazer de assistir. Impressionante também como dois super atores desta geração são desperdiçados num filme fraco, de roteiro bobo.

Maggie (Anne Hathaway) sofre de uma doença degenerativa e por isso não “do relatioships”. Nada de namoro, casamento, filhos ou projetos que levem tempo. Até conhecer Jamie (Jake Gyllenhaal), Maggie vivia um dia de cada vez. Ele, por sua vez, galinha até o último fio de cabelo, não pensava em se amarrar a ninguém. Até que eles se conhecem, se apaixonam, ela reluta, ele se dá bem na vida como revendedor da Pfizer … Zzzzzzzzz….

O filme é chato. As cenas de sexo - super faladas antes de o filme estrear - não tem nada demais, os diálogos são pobres e tudo é previsível. Sinceramente … serve para uma Sessão da Tarde e olhe lá.

Nota 4. Não recomendo.

A lenda termina.

Mathilda: I’ve decided what to do with my life. I wanna be a cleaner.
Léon: You wanna be a cleaner?
[passes her a gun and bullets]
Léon: Here, take it. It’s a goodbye gift. Go clean. But not with me. I work alone, understand? Alone.
Mathilda: Bonnie and Clyde didn’t work alone. Thelma and Louise didn’t work alone. And they were the best.

O Profissional, 1994

A relação entre o assassino Léon e a menina Mathilda, interpretada por uma ainda menina Natalie Portman, é o ponto mais forte deste filme do francês Luc Besson. Um filme lindo, sobre amizade, laços improváveis e amor. Apesar da caricata atuação de Gary Oldman e da famosa cena do grito histérico no corredor do prédio, O Profissional tem um roteiro maravilhoso e elenco afiado. É um filme doce em um cenário muito violento. Mas lindo de ver.

Quando seus pais são assassinados, Mathilda, de 12 anos, se vê sozinha e acaba sendo acolhida pelo estranho vizinho de prédio, Leon. Um sujeito alto, forte, corpulento, quase uma criança num corpo de adulto, que descobrimos ser na verdade um assassino profissional, dotado de uma vida espartana, mas muito eficaz e profissional no que faz. A amizade entre os dois cresce ao longo do filme, assim como a caçada de Oldman a única testemunha de seu crime. O filme tem ainda uma participação muito especial do ator Danny Aiello como o “chefe” de Léon.

É um filme de ação. Um filme com o toque de Besson, na época um desconhecido para o cinema americano. O final comove e sempre me faz chorar.

Nota 8. Recomendo.

Thomas Leroy: The only person standing in your way is you.

Black Swan, 2010

Para mim o melhor filme de 2010. Primeiro pela interpretação magistral de Natalie Portman. Depois, pela direção inquieta e inquietante de Darren Aronofsky, responsável por filmes maravilhosos como Requiem para um Sonho. Em terceiro pelo elenco de apoio que tem uma Wynona Ryder irreconhecível e de volta a velha forma, uma Mila Kunis de tirar o fôlego e um Vicent Cassel ao mesmo tempo sedutor e repugnante.

Mas este não é um filme só de atores, mas sim de uma história maravilhosa e que nos faz pensar sobre perfeccionismo, cobrança, competitividade. Nina, a bailarina intensa de Portman, vive para dançar. Muito em função das frustrações de sua mãe (uma smuida e “botocada” Barbara Hershey, que segura bem o papel). As duas carregam o mesmo nível de obsessão e pressão pela dança. No entanto, Nina vai além da mãe e consegue o papel principal do espetáculo “O lago dos cisnes”. Tudo vai bem até Nina ser consumida pelo papel. De forma visceral, Nina se transforma no cisne que tanto desejou. Chega a ser inusitado. Pois nunca pensei em ver no cinema uma metamorfose tão kafkaniana tão bem retratada. É de tirar o fôlego.

A mudança de Nina é um soco no estômago, uma mudança incômoda e muito bem dirigida por Aronofsky. Aliada à interpretação da dupla Portman e Kunis, o filme ganha intensidade além do normal. Agarrada na cadeira, tensa até o último minuto, por pouco não bati palmas quando o lado negro da bailarina enfim vem à tôna.

Antes mesmo de Portaman chegar ao Oscar por esse filme, George Lucas já brincava com o lado negro da Força que todos temos. No caso de Nina, um lado que ela desconhecia e que acaba por traí-la.

Nota 10. Recomendo.